Por Cuca
15 julho, 2015

Vinícola Santa Rita

vinicola santa rita chile blog projeto mestre cucaEste ano visitei o Chile pela primeira vez e fiquei apaixonada, como já relatei nos posts sobre Santiago.
E ir ao Chile e não visitar pelo menos uma vinícola, é como ir ao Rio de Janeiro e não conhecer o Cristo Redentor!
Confesso que foi super difícil escolher! São muitas opções, a pessoa que estava comigo não queria visitar nenhuma vinícola (não gosta de vinho) e eu tinha apenas 1 dia de meio período, para fazer o tal passeio.
Por recomendação da concierge do hotel W e algumas coisas aqui e acolá que acabei lendo, escolhi a Vínicola Santa Rita.
Vou te convidar para fazer esse tour comigo. Pena que no final, não tem vinho para bebermos juntos!

Chile x vinho
O Chile produz cerca de 800 milhões de litros de vinho por ano e 80% da produção é exportada para outros países.
De acordo com um levantamento realizado em 2013, os chilenos consomem apenas 14 litros por pessoa/ano. Uma pena! Ou uma alegria para nós, que adoramos o vinho de lá.
Outra curiosidade é sobre a uva Carménère.
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Nos dias de hoje, a Carmenere é produzida apenas no Chile, mas sua origem é francesa.
Por volta de 1860, uma praga devastou todas as plantações de Carménère na França e todos acreditavam que a espécie estava extinta.
Até que na década de 90 (1990), encontraram a uva no Chile. Desde então, o país é o maior produtor desse tipo de vinho!
Cuca é cultura gente! E se preparem: como boa jornalista, resolvi explicar cada detalhe desse passeio, não apenas lindo, mas cultural!
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Vinícola Santa Rita ou Viña Santa Rita
A Vinícola Santa Rita é linda e uma das mais antigas do Chile.
A belíssima casa da fazenda foi construída em 1790. Super preservada, encanta qualquer um que chega por ali.
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A vinícola foi fundada em 1880, por Domingos Fernández Concha. O nome foi escolhido porque seu então dono, era devoto de Santa Rita de Cássia.
Não sei ao certo a data, mas em algum momento, ela foi vendida para a família García Huidobro. Finalmente em 198o,  o poderoso grupo Claro (o dono se chamava Ricardo Claro) comprou a propriedade, que pertence a família até hoje.
A partir do final da década de 80, a produção foi expandida.
As parreiras estão espalhadas por propriedades no Vale do Maipo, Casablanca, Rapel, Lontué e Leyeda. E 5 plantas, como a Santa Rita participam do processo de produção dos vinhos.

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Tour e o processo de produção
A gente começa a entender um pouco sobre a produção do lugar, em uma espécie de quintal, onde é possível ver e provar todas as uvas utilizadas na produção de vinhos com o rótulo da Santa Rita.
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A variedade de uvas cultivadas é enorme:

Curiosidade
Quanto menor a uva, mais docinha. E que significa isso para a qualidade do vinho? Durante o processo de fermentação o açúcar é convertido em álcool. A uva bem pequenininha tem maior a concentração de álcool, produzindo um vinho mais encorpado e menos aguado.
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Quando o tour realmente começa – nós turistas e nossa santa ignorância – achamos a coisa mais linda e caprichosa do mundo, as rosas plantadas em frente as parreiras. Dai guia nos explica, que as rosas são plantadas por um motivo muito mais objetivo: as flores são super sensíveis à pragas. Então, caso a roseira morra ou algo aconteça com ela, é possível identificar onde está o problema rapidamente e tentar salvar as uvas. Legal, né? E não deixa de ser lindo!
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A colheita da Santa Rita é feita 1 vez por ano, durante os meses de março e abril.
Primeiro são colhidas as uvas brancas e depois as roxas.
Depois de selecionadas, vão para a área de moagem.
As uvas brancas são moídas sem a casca, que depois é utilizada para adubar a terra.
As uvinhas roxas são com casca e tudo.vinícola santa rita blog cuca 31

Depois começa o processo de fermentação.
Para que isso ocorra, é adicionado levedura ao líquido extraído das uvas.
A temperatura é super controlada e deve ficar entre 25 e 30 graus nessa primeira etapa.
Cada tanque de aço inoxidável, tem a capacidade de armazenar até 40 mil litros de vinho e as temperaturas podem oscilar, de acordo com o objetivo.
Concluído o processo de fermentação, o líquido vai para filtragem. Só depois, começa o processo de envelhecimento.
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Envelhecimento
É uma das fases mais importantes do processo.
Ela pode ser realizada em barris de carvalho e/ou na garrafa. É durante esse período que os aromas, as cores e sabores começam a se transformar e se intensificar.
1 barril armazena um volume correspondente a cerca de 300 garrafas de vinho.
Na Santa Rita, os barris são usados 3 vezes e depois descartados são vendidos para fábricas que produzem o tradicional Pisco.
Para a fabricação dos vinhos Premium, o barril é usado apenas 1 vez.
Os melhores vinhos vão para os barris de carvalho americanos e franceses.
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Cada um leva um tempo para ser engarrafado e colocarem as rolhas.
A tampa de metal que é usada em vinhos mais jovens e menos “nobres”, é hermética. Já a rolha de cortiça, é importada da Espanha.
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Armazenamento
Os vinhos são armazenados assim, deitados. Nessa posição, a rolha permanece úmida. Ela não pode secar! Caso isso ocorra, o ar entra na garrafa e o vinho se torna vinagre!
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Classificação dos vinhos
Talvez muita gente não saiba, mas a classificação dos vinhos pode variar de acordo com a legislação de cada país, a vinícola e o tipo de uva.
Quando você for comprar um vinho da Santa Rita, é assim:
Reserva: um vinho envelhecido por apenas 8 meses, já é chamado de Reserva.
Grand Reserva: a partir de 14 meses.
Premium: de 18 a 22 meses.
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Produção da Vinícola Santa Rita
São produzidas 60 milhões de garrafas por ano: cerca de 10 mil garrafas por hora e 200 mil/dia.
70% da produção é de Cabernet Sauvignon.

120
O vinho mais famoso da Santa Rita se chama 120. O nome é uma homenagem aos 120 soldados que lutaram pela independência do Chile e que ficaram escondidos no porão da fazenda em 1814. Quem os escondeu foi Dona Paula, que era a dona da fazenda. No final passam um filminho contando essa historinha.

Degustação
Finalmente! Acho que era um dos momentos mais esperados do passeio!
São servidos 3 vinhos: 1 branco e 2 tintos.
Eu e boa parte do grupo adoramos o branco e não gostamos dos tintos. Depois me contem a opinião de vocês!
Fiquei decepcionada, pois jurava que teria alguma comidinha ou petisco pra acompanhar. Muito cabecinha de gorda eu?
Poxa, já era meio dia e a gente tinha rodado umas 3 horas…só eu tenho fome?!
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Lojinha
No final do passeio (como todo lugar turístico), a gente inocentemente termina em uma lojinha de souvenirs. Nessa pelo menos tinha vinho. Eu comprei 2 garrafas do branco da degustação. Além de ter achado uma delícia, ele era baratérrimooo.

Museu
Dentro da propriedade também tem um museu, que eu sinceramente não consegui ir.

Distância de Santiago?
A Vinícola Santa Rita fica a apenas 45 minutos de Santiago. É uma das mais perto.

Como reservar o passeio?

Fiz a reserva através do meu hotel (o W Santiago). Comprei o pacote na empresa Touristik, uma das mais famosas de lá.

Quanto?
Paguei 29 mil pesos chilenos, o que daria cerca de 140 reais.

O que inclui?
Está incluso o trajeto de ida e volta do seu hotel até a vinícola, o tour e uma degustação de vinhos no final.

Outras opções
– BIKE TOUR
Você pode escolher fazer o tour pela vinícola de bicicleta. Eu não sabia, pois gostaria de ter feito. Encontrei o pessoal lá.
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– MOTORISTA PARTICULAR
Você pode contratar um carro com motorista, que leva até 3 pessoas. Ele vai e volta no horário que definirem.
A vantagem é que você marca o tour e pode almoçar no restaurante da vinícola, que dizem ser muito bom!!! Inclusive eu achei que daria tempo de almoçar! 🙁 Infelizmente, descobri por lá que com o tour de grupo, acabou o passeio a gente já entra na van.
Você pode solicitar essa opção ao concierge do seu hotel.

O que eu achei?
Eu sempre sou super sincera quando conto minhas experiências e acho que isso que dá credibilidade ao que escrevo por aqui. Mas essa é minha opinião e gosto é relativo… Vamos lá!
Eu achei a propriedade linda, super bem cuidada e organizada. O tour é super bacana e bem explicativo também.
No final tem uma degustação de 3 vinhos. Achei o branco gostoso e os outros dois não gostei!
Como conjunto o passeio foi bem legal, mas eu preferia ter feito um tour com motorista particular, para poder almoçar lá. Dizem que o restaurante é muito bom mesmo! E outra, né? Terminei o passeio esfomeada e tive que entrar na van para voltar para Santiago. Ok, 45 minutos apenas…mas sou morta de fome!
E se eu tivesse tempo, iria para vinícolas com vinho mais gostoso! haha
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Outras vinícolas
Ouvi falar de várias e dei até a dica em um outro post.
Infelizmente, só na volta da viagem, conversei com uma amiga minha entendidíssima de vinho e dona de uma das maiores importadoras da bebida, e ela me passou o nome das melhores vinícolas na opinião dela. Como sou muito boazinha, vou dividir com vocês!
-Odfjell
-Emiliana – os vinhos são orgânicos
De acordo com ela, além de lindas, tem ótimos vinhos.

Outra que me indicaram muito foi a Matetic!

Outros posts legais sobre Santiago:
Informações básicas sobre Santiago (dinheiro, transporte, visto e etc)
Pontos turísticos que tem que conhecer
Hotel W Santiago
Restaurantes em Santiago

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