Por Cuca
26 abril, 2016

AMARmentar: as dores e delícias de alimentar minha filha

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Toda vez que sento na minha poltrona cinza, penso que o verbo não deveria ser amamentar e sim AMARmentar.
Amamentar é um ato de amor, é entrega de corpo, de alma, é troca.
A amamentação era um assunto que me preocupava desde que estava grávida. Curiosa que sou, conversei, perguntei, li e investiguei bastante sobre o assunto durante a gestação.
Mas na época, a única coisa que me falavam ou que me preocupava era: “Será que conseguirei ou não amamentar? “
Era apenas essa questão que consegui levantar baseada nas experiências que me contavam.
Para mim existia 2 tipos de mulheres: o time das que conseguiam amamentar, tinham leite e etc E o time das mulheres que por algum motivo não conseguiam. Ponto!
Assim como a gravidez, descobri que a amamentação é outro tabu! Quase ninguém te conta a verdade, ou melhor, as possibilidades.
Tive uma surpresa enorme quando chegou a minha vez e foi muito sofrido no começo.
Amamentar é maravilhoso, mas pode literalmente doer muito!

Gerar uma vida é a coisa mais maravilhosa que pude vivenciar. Trazer essa vida ao mundo é algo indescritível. E ser a única – teoricamente – fonte de alimento para que essa vidinha se desenvolva, é algo que transcende qualquer coisa.
A natureza é mesmo sábia, isso é fato. Mas muitas vezes não tão perfeita.
Sophia mamou assim que nasceu. Desesperada, ali na mesa de parto ela já sugou para dentro dela todo meu amor. Ela me deu ali todo o amor que ela tinha e me mostrou o quanto precisava de mim. Nos tornamos 1 só novamente, mesmo que tivessem acabado de nos separar.
Pela primeira vez tínhamos nossos corpos separados, nossos corações não batiam mais no mesmo espaço…mas vi que ali, no ato de amamentar, nos uniríamos outra vez. Só nós duas!
Assim foi lá naquela mesa de parto, assim foi nos 2 dias em que estivemos na maternidade e quando chegamos em casa.
Eu tive muito colostro, meu leite desceu rápido, eu jorrava alimento para minha filha. Eu estava feliz, eu estava realizada e todos os meus medos tinham ido embora! Eu tinha descoberto o tipo de mulher que eu era: a que consegue amamentar, que tem leite!
Mas na minha primeira noite em casa, meu mundo caiu. No meio da madrugada, minha filha engasgou e quando olhei para ela, ela estava vomitando sangue!!! Sangue misturado com leite. Nenhuma mãe está preparada para ver isso! Eu não estava!
Naquele momento meu coração partiu, as lágrimas escorriam sem parar do meus olhos…eu estava em pânico.
Depois de algum tempo, minha filha parou de vomitar aquele líquido cor de rosa e começou a berrar novamente de fome. Sophia é um bebê faminto e meu peito sangrava.
Coloquei meu bebê no outro peito e ela mamou como se nada tivesse acontecido. Eu continuava morrendo por dentro. Será que fiz algum mal pro meu bebezinho? Ela tomou sangue! Ela vomitou sangue!
Ela terminou de se alimentar no peito que estava bom naquele momento e adormeceu.
Eu sabia que ela acordaria faminta, eu precisava fazer alguma coisa. Entrei no Google, nos grupos de mães que faço parte no Facebook, pedi ajuda, sai pesquisando. Eu precisava de ajuda naquele momento, mas a madrugada é cruel e solitária. As 2 da manhã, só existia eu e meu marido, pais de primeira viagem, um seio sangrando e uma bebê dormindo.
Fiz o que consegui. Peguei uma dica de adesivo para colar no mamilo para acalmar a dor e meu marido saiu correndo para comprar. Fervi um bico de silicone que estava na minha caixinha de compras do enxoval. Assisti tutoriais no Youtube de como usar essas coisas. Eu precisava de tempo. Tempo para que o mundo acordasse e eu gritasse socorro!
Minha filha acordou antes do mundo. Coloquei o bico de silicone, mesmo com muita dor, dei aquele peito direito para ela. O bico era enorme, muito maior que o meu e ela parecia não gostar daquele treco de silicone. Eu sofria olhando aquilo. Ela tentava sugar, mas parecia que não matava a fome. 40 minutos depois, ela ainda sugava e chorava de fome. Passei para o outro peito…ela mamou desesperadamente e dormiu.
Eu continuava desesperada, mas começou a amanhecer. Liguei para a consultora que havia me dado orientação quando eu estava grávida e ela me deixou na mão. Falou por mensagem que poderia me atender no da seguinte a noite.
Não dava para esperar! Minha filha ia acordar mais uma vez e acordaria com fome.
Fiz uma mala e pensei em voltar para a maternidade. Alguém teria que me ajudar, afinal sai de lá perfeita, com pediatra me elogiando, pega correta, bebê saudável, tivemos alta em 48 horas… como aquilo foi acontecer?
A maternidade só podia me ajudar por telefone, mas eu precisava ver alguém.
Liguei para enfermeira obstétrica maravilhosa que participou do meu parto, mas ela estava trazendo mais uma criança ao mundo e me indicou uma outra pessoa. A consultora veio aqui e foi maravilhosa naquele momento que eu estava desesperada. Ela acalmou o coração de uma mãe que estava se achando um desastre e que estava fazendo tudo errado. Falou para colocar compressa de camomila e que aquilo ia passar.
Nos grupos de mães, outras mães me diziam o mesmo: “Calma, vai passar! Daqui 15 dias ou 1 mês o seu peito vai estar calejado e passa!”
Eu chorava de dor a cada mamada. Minha filha colocava a boca no meu peito e eu não continha minhas lágrimas. Elas não escorriam, elas jorravam dos meus olhos. Eu chorava em silêncio, sofrendo de dor e quase com um sorriso no rosto de poder ver minha filha se alimentando e feliz.
Descobri ali que ser mãe é fazer qualquer coisa pelo filho. Aquilo era a prova de todo meu amor. Eu estava disposta a qualquer coisa para minha filha, pela minha filha.
Ao mesmo tempo, para mim era inaceitável que uma mulher tivesse que passar por isso. Pior ainda, ter que se conformar em chorar e sofrer por 1 mês. Eu pensava: “O homem já foi até a lua e não inventou nada para não doer um peito???” Ahhh eu não me conformava. Não é da minha natureza aceitar aquilo, sem pesquisar, sem tentar tudo.
Chegou o dia de irmos ao pediatra, naquela mesma semana tumultuada.
Sophia estava engordando 86 gramas por dia, enquanto a média era 30. O pediatra estava feliz, até que ela quis mamar durante a consulta. Quando ele me viu chorar sem parar enquanto amamentava minha pequena, ele me disse: “Você não pode ficar assim! Isso não está certo! Hoje mesmo você vai tirar leite e vai dar o intervalo de 4 mamadas para o seu peito. Pode dar a mamadeira para a sua filha. Você não pode ficar assim…seu mamilo está em carne viva.”
Ele pegou o telefone e ligou para uma consultora de amamentação e pediu para que ela fosse na minha casa no mesmo dia. E ela foi!
Santo pediatra, santa consultora…a terceira, última e que mudou o rumo dessa história!
A Fanny chegou e a voz dela já me fez sentir melhor. Me explicou diversas coisas, me ensinou na prática a melhor forma de amamentar a Sophia (de acordo com o meu seio, a minha poltrona, a pega dela e etc), me ensinou a tirar leite e me orientou a passar a santa pomada sem parar.
A gente ordenhou – sim, essa é a palavra e me senti uma vaca sendo ordenhada – manualmente meu peito, porque naquela altura do campeonato a maquininha elétrica ia piorar a situação do mamilo. Tiramos 30 ml e combinei que as 10 da noite, meu marido daria a mamadeira para minha filha e eu ordenharia mais 30 ml para a próxima mamada e assim seria por mais 2 vezes, até de manhã.
Os planos estavam perfeitos. Sophia ia tomar 4 mamadeiras, eu ia passar pomada e meu peito ia ficar novo!
Só que não foi exatamente isso que aconteceu…
Eu tive uma crise de choro quando ela foi embora. Eu estava sensível de todas as formas que poderia estar, não conseguia pensar em ficar 4 mamadas longe da minha filha para ela não sentir meu cheiro d pegar a mamadeira, não conseguia aceitar que meu peito jorrava leite e teria que dar mamadeira, não conseguia entender tudo aquilo que estava acontecendo!
Por que comigo? Por que não me falaram antes que o peito poderia sangrar???
Chegou a hora da Sophia mamar e ela não acordava. Esperamos mais um pouco e acordamos. Ela não quis pegar a mamadeira. Eu não consegui ordenhar meu peito. Começava mais uma madrugada negra.
Tentamos dar na colher, na seringa, no copinho e ela não aceitava. Ela queria dormir!
Minha médica falou que precisávamos dar pelo menos uns 5 ml, para que ela não tivesse hipoglicêmia. Demos. Eu passei pomada de 1 em 1 minuto no meus mamilos, incansavelmente. Eu não parava. Eu precisava melhorar, eu precisava amamentar sem chorar novamente. Aquele pesadelo precisava acabar.
Aquela noite foi longa novamente.
A Sophia dormiu mais de 7 horas e não quis mamar. A natureza era sábia, de algum jeito, ela soube que a mão precisava daquele tempo para melhorar.
Já nós, pais de primeira viagem, ficávamos mais desesperados a cada hora que ela não mamava e dormia.
Meu peito incrivelmente, com muita pomada e um bom intervalo, melhorou. Ela acordou e amamentei quase sorrindo sem dor.
Eu fui passando a pomada sem parar, corria para o sol quando conseguia e aos poucos realmente meu peito foi melhorando. Aos poucos, a dor foi desaparecendo e apenas o prazer de ver aquele rostinho evoluindo – literalmente diante dos meus olhos – que ficou.
Aos poucos, aquele momento tornou-se pura alegria. Agradeço todos os dias por nunca ter desistido, por ter tido uma boa orientação, por ter me esforçado ao máximo apara melhorar, por ter ficado sem dormir passando pomada, por ter sentido frio para dormir sem blusa… valeu a pena!
Eu amo amamentar a minha filha, do fundo do meu coração!
Eu conheço cada centímetro do rostinho dela. Eu vi cada pelinho dos cílios e das sobrancelhas nascerem e crescerem. Eu vi aquelas bochechas enchendo. Eu vi os olhos perdidos se tornarem olhos vibrantes. Eu vi sorrisos. Eu reconheço o choro de fome e sei como acabar com ele.
Tudo isso é mágico para mim. Tudo isso é muito maior do que eu poderia imaginar.
Eu acordo qualquer hora do dia ou da noite e sento na minha poltrona feliz. Aquele momento é nosso, meu e dela. É uma conexão sem igual.
No começo, eu sentia vontade de chorar de tanto amor. Confesso que muitas vezes, eu ainda sinto! E já chorei e choro outras vezes se sentir vontade.
Minha filha não tem nem 2 meses ainda. Boa parte desses 60 dias passei sentada naquela poltrona cinza clara. Não tem mais dor, mas não é fácil. São horas e horas.
Amamentar é doar o corpo, o tempo, a alma, os dias e as noites. É entrega.
Você não tem controle sobre a sua vida e seu corpo. Não pode fazer dieta, não pode exagerar nos exercícios, não pode beber, tem muita fome, não pode ir tão longe, tem horários e não tem horários, está sempre à disposição, perde noites de sono, passa dias cansada…
Não dá pra ser mais ou menos.
É uma escolha!
Faria tudo outra vez. Mas também faria tudo diferente…
Se eu não tivesse leite, daria a mamadeira para minha filha, com o mesmo amor que ofereço meu peito.
Se não fosse tão feliz amamentando, daria a mamadeira para ser feliz e fazê-la feliz.
Se não conseguisse aguentar a dor que suportei no começo, daria mamadeira.
A minha opção e situação é amamentar. Mas hoje, mais do que nunca, entendo e não julgo nenhuma outra. Cada mulher é dona do seu corpo, das suas vontades e deve fazer o que considerar melhor para si e para sua cria.
Cada um ama ao seu modo e como pode.
Eu amo assim…intensa, exagerada, visceral, do jeito que dá, do jeito que sou!
Amamentar é troca, você dá e recebe amor na mesma proporção.
AMARMENTAR!
-Pedi para a orientadora de amamentação que me ajudou a preparar algumas dicas também, em breve posto.
– Vou escrever um outro post sobre engasgos, refluxo, alimentação da mãe… calma que uma hora consigo!

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Vamos juntas dividir histórias e tornar a maternidade mais real!
Beijos carinhosos
Cuca

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1 Comentário:AMARmentar: as dores e delícias de alimentar minha filha

  1. Isis

    Cuca sei o que você esta passando pois estou passando pelo mesmo, e me enchi de esperanças em saber que hoje você consegue amarmentar sem dor, gostaria de saber o nome dessa pomada milagrosa,obrigada !