Por Cuca
5 outubro, 2018

O voto de cabresto digital e a eleição menos racional da história


“Uma mentira repetida mil vezes, torna-se verdade”. Nem Joseph Goebbels, imaginaria o que a Internet seria capaz de fazer. Que as mentiras, ou melhor, fake news, compartilhadas pelo Whatsapp e replicadas no Facebook, dividiriam um país entre o bem e o mal e criariam um “mito”.
Não há meio termo digital. Não é permitido! Ou melhor, dizem que não é “útil”.
Em terra de mentiras e compartilhamentos, já não é mais útil, pensar com a própria cabeça, escolher o próprio voto ou ser fiel as próprias convicções.
Confesso, demorei para tomar pé dessas eleições. O que eu lia,aqui e acolá, fazia tão pouco sentido, que parecia piada. De mau gosto.
Mas não eram piadas, eram estratégias.

A estratégia do PT foi escolher um rival tão insignificante politicamente, tão vazio de propostas e cheio de preconceitos, que aparentemente seria o mais fácil de ser derrotado. Apostavam na transferência de votos do presidiário “herói”, para o seu representante quase desconhecido da massa e considerado o pior prefeito de SP, Haddad. Assim, o PT elegeu o egocêntrico e truculento Bolsonaro como adversário. Assim começou a parceria velada e antagônica.
E eles se retroalimentaram a cada dia. Compartilharam o sonho de dividir o país entre o medo da volta do PT e do outro lado, o medo do “fascismo”. Quanto mais as pessoas tinham medo do PT e do comunismo (?), quanto mais assustadoras eram as declarações da esquerda, mais Bolsonaro se fortalecia. Quanto mais ele se fortalecia com seu discurso insano, mais a esquerda avançava.

Aos poucos, uma terceira ou quarta via, foram sendo anuladas. E quando realmente a campanha começou, elas quase já não existiam.
O candidato, que poderia ameaçar a estratégia traçada, já entrou perdendo. Ganhou do seu partido, o tão desgastado PSDB, a herança maldita de Aécio Neves. METADE do país havia brigado por ele na última eleição, defendido o mineiro com unhas e dentes. De presente, ele devolveu seu nome sujo, na Lava Jato. Geraldo não conseguiu se desvencilhar do “colega”, que traiu a pátria e não foi expulso pelo partido. E a campanha continuou a cometer erro atrás de erro… Poderia mostrar seu trabalho.Poderia ser mais agressivo. Mas sua ponderação e racionalidade, sempre lhe renderam a fama de chuchu. Enquanto uns levantavam armas e outros facões, ele abraçava as velhinhas.
Pra piorar, escolheu bater no mito, enquanto queriam seus eleitores que batesse no inimigo número 1 da nação, o PT.

Enquanto o país se polarizava, muitos de nós ainda tínhamos nossos candidatos, declarando ou não nossas escolhas.
Mas uma facada mudou tudo.
O já marketeiro profissional, Trump tupiniquim, se fortaleceu a cada dia, com a ausência em debates e sem que a população pudesse constatar sua falta de plano de governo e tantas outras coisas.
Mas seus soldados, agora mais do que nunca, fiéis, cuidaram da campanha do capitão! Espalhando vídeos propositalmente caseiros e mal editados, memes, e fotos com 3 linhas, de frases radicais ou “engraçadas”.
Bolsonaro e sua trupe de marketeiros profissionais, ainda se apropriaram da tática do próprio criador (PT) com maestria: a desinformação. Ficou então definido entre os fiéis, que toda e qualquer opinião ou reportagem não favorável, tornaria se mentirosa.

E assim, ao passo que a extrema direita parou de se informar e passou a acreditar no novo “Messias”, a esquerda começou a sentir que os planos haviam saído do controle.
Então, em um ato tão pensado quanto desesperado, se apropriaram do feminismo, para lutar contra – o agora, inimigo fortalecido.
O tiro mais uma vez, saiu pela culatra. Em um país patriarcal, machista e com ódio da esquerda, as mulheres que estavam em dúvida, correram para o outro lado.

Já os eleitores de Amoedo, que prometiam mudar o Brasil, desistiram antes de começar. Foram pouco a pouco pulando do barco, que nunca encheu. Não antes de pedir desculpas: “Te vejo em 2022”. Deixaram ideologicamente o veganismo político e resolveram comer x-picanha, lambendo o sangue. Os que queriam o novo, preferiram a nova moda do momento. Bolsomito, é pop! Dispensaram a renovação e compraram 30 anos de inutilidade pública no curriculum.
Ciro, o coronel nordestino, vem comendo pelas beiradas. O rei da oratória, arremata pouco a pouco os viúvos petistas e os “nem lá e nem cá”.

O PT pensou em tudo quando escolheu o rival que iria aniquilar. Já tinham comprado o champanhe para festa. Mas apenas subestimaram a estratégia marketeira, de quem já se anunciava, sem nem um pudor, ser o Trump brasileiro.
Muito mais moderna e eficaz, do que a usada pelos outros candidatos e partidos, “macacos velhos” de campanhas na tv, as redes sociais mudaram tudo. E nessa eleição, ficou claro.

E assim foi sendo desenhado nosso voto de cabresto digital. O qual, repudio com veemência.
Respeito quem está convencido e embasa sua escolha em qualquer candidato, de forma racional. Mas não o efeito manada.
Os assustados e manipulados, que acreditaram, que mesmo que não seja de sua vontade, devem escolher entre 2 candidatos no PRIMEIRO turno.
Não precisa, nunca precisou! Segundo turno só se define na noite do dia 7. Até lá tudo pode acontecer. Eleição sempre foi uma caixinha de surpresas.

Eu escolhi o meu candidato. Meu voto não está a venda e também não empresto à ninguém no primeiro turno.
Eu – ainda – acho que cada um deveria escolher o seu. Baseado em propostas de governo, capacidade de governar, a figura do vice, identificação e tantas outras coisas importantes.
Não em vídeos “aterrorizantes” de Whatsapp e frases feitas de timeline que te fazem escolher entre “polícia” e ladrão. Entre merecer o céu ou queimar no inferno.

Eu nesse momento, nunca quis o novo. Sempre quis a experiência. Eu nunca quis herói. Eu nunca quis mito. Eu nunca quis casar com partidos.
Eu sempre quis um governante com falhas e acertos. Principalmente capaz de trazer racionalidade ao caos. Não é na bala que se resolve e muito menos no golpe.
Não me sinto nem um pouco responsável, caso Bolsonaro não ganhe no primeiro turno, por escolher o Alckmin. Me sinto aliviada, se vocês que me pressionam tanto, querem saber. Me sinto menos ainda responsável por uma eventual volta da esquerda. Atribuo isso, simplesmente à falta de lógica da direita votante, que engoliu um plano macabro e tomado por egos gigantes.
O medo de enfrentar o segundo turno com qualquer candidato, até há poucos dias, sempre foi de Bolsonaro. Nunca deveria ter sido nosso, como nação!

Mas eu tento acreditar ainda em votação e principalmente na democracia.
No fim das contas, apesar da patrulha digital nos bombardear 24 hs por dia, dentro da cabine de votação só cabe 1 pessoa, sem celular. Seremos nós, a urna e nossa consciência. E ufa, na porta não terá (na maior parte dos casos) um coronel te esperando armado!
Porque votar em quem eu escolhi, é o meu conceito de voto útil. É fazer a minha parte. Prefiro ser “do contra”, do que ser simplesmente manipulada.
Aceitaria me decepcionar por ter escolhido errado o meu candidato, como já aconteceu. Mas jamais por um que escolheram por mim!
C.M.

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